Fundo para financiar pobreza mira a classe média e esquece as grandes fortunas

Por José Marcondes*
Em princípio, este veículo de comunicação não é isento em relação ao governo federal. Estamos na trincheira da oposição, criticamos pontualmente todas as ações danosas ao povo brasileiro, quando assim o entendemos, sem a capa medíocre de acreditar estar com a razão, sempre receptivos a críticas, observações e até comentários raivosos de petistas, lulistas e dilmistas.

Não é o caso, entretanto, quando o assunto é combate a pobreza. Pobre é (de espírito), a nosso ver, quem defende um corte seco nos programas de resgate social como bolsa-família, pela simples fórmula eleitoral que sugerem estar investidos estes programas.

Não somos tontos, sabemos que está por trás de tudo isso uma monumental máquina eleitoral que sorve mentes e corações em anos pares, quando ocorrem eleições. Mas também não somos desumanos, a ponto de não se sensibilizar com a causa. Milhões de brasileiros passavam fome no país, é verdade. Grande parte deste contingente não passa mais.

Um dado curioso que notamos no decorrer destes anos, por exemplo, é a diminuição de pedintes de porta-em-porta, quando pessoas abaixo da linha da miséria, perambulavam nas casas alheias pedindo um prato de comida. Se isso é visível aqui, na cidade grande, imagina nesses rincões da vida, onde a comida está chegando via o cartão da bolsa-família.

O novo programa do governo federal, encampado também pelo governo do estado, sob forma de aumento de tributos como alternativa para se criar um fundo de pobreza é, portanto, bem-vindo sob vários aspectos.

É bem-vindo quando se propõe ao resgate da dignidade da pessoa pobre, quando promove a inclusão social básica - que é a alimentação minimamente digna - quando devolve a auto-estima aos seres humanos dizimados pelo vírus do desgosto na vida o que leva, muitas vezes, inclusive ao cometimento de crimes para fins de sobrvivência.

É mal-vindo, entretanto, quando serve-se a cunho eleitoreiro, quando estas ações são utilizadas sem remorso ou dignidade política, eivadas de demagogia, em períodos eleitorais, por políticos espertalhões, paspalhões e demagogos. O princípio do governo, qualquer governo, deveria ser o mesmo kardecista: 'dar a quem sem esperar um vintém'.

Torna-se papel das oposições (e isso nos inclui), portanto, condenar seu uso eleitoreiro, tentar exclarecer sua capa celestial por estar sendo feito com nosso sagrado dinheiro, e mostrar à sociedade que existe mais coisas entre o céu e a terra do que somente um cartão que lhe dá algum dinheiro no fim de mês.

Ao encampar o projeto elevando a carga tributária do estado, o governo Silval Barbosa vai contra os predicados de um governo que esperávamos, iria reduzir a carga tributária. Quando as incide sobre produtos não supérfluos, como energia, álcool e gasolina, presta um desserviço a classe média que começava respirar aliviada com os ganhos da estabilidade econômica e crescimento linear da economia.

Alguém tem que pagar a conta - avisa os defensores da idéia - mas porque não aliviar a sofrida classe média, que já suporta no lombo cerca de 44% de imposto sobre todos os produtos que consomem, esgarçando dela, sobremaneira, o custo Brasil e o famigerado revés do pacto federativo.

Porque não se procurou, por exemplo, as grandes fortunas para bancar esta conta? A resposta talvez seja simples: São as grandes fortunas quem financiam as grandes campanhas eleitorais, principalmente petistas.

O fato é que estamos vendo (pelo menos em Mato Grosso) os grandes produtores comprando terras, colheitadeiras, aviões, torrando dinheiro a granel dos lucros exorbitantes da produção primária e todos os anos seguindo com suas caminhonetes importadas para Brasília a protestar por um novo calote nas dívidas que querem dar nas instituições públicas, como o Banco do Brasil, por exemplo, que deveria ser um braço fomentador do combate a miséria, e não agência de agiotagem e calote de gente já rica.

O efeito hobbin-hood da iniciativa de combate a pobreza tem na ação o nosso apoio, mas acreditamos estar mirando as vítimas erradas para cometer o saque via imposto.
*José Marcondes (Muvuca) é editor chefe do www.megadebate.com.br

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