Várzea Grande e Cuiabá enfrentam epidemia de Dengue


Casos graves aumentaram 1.500% em um ano e já são 8 mortes; último óbito foi confirmado ontem, de um adolescente




Ana Laura, 7, é uma das vítimas fatais em Cuiabá; ela morreu na semana passada

Cuiabá e Várzea Grande enfrentam uma epidemia dos casos graves de dengue. Os 2 municípios juntos são responsáveis por 69,5 % dos registros da doença na forma grave ou 178 casos, dos quais 90 em Cuiabá e 88 em Várzea Grande. O número de registros na forma grave aumentou 1.500% no Estado em comparação ao ano anterior. O secretário de Estado de Saúde, Augustinho Moro, explica que em 2009 foram comunicados 16 casos e nos primeiros 3 meses deste ano, a quantidade chegou a 256.


A situação foi confirmada ontem na Secretaria de Estado de Saúde (SES), que apresentou medidas de combate a proliferação do mosquito vetor, bem como o tratamento. As ações contemplam investimentos na limpeza urbana, qualificação de profissionais e também em plantões extras para médicos e funcionários da área de saúde. O custo ainda não foi todo computado, mas Mouro acredita que será de aproximadamente R$ 400 mil apenas em Várzea Grande. Do total, cerca R$ 180 mil será destinado ao pagamento de profissionais e R$ 100 mil para limpeza urbana. Na Capital, o secretário relata que ainda não foi finalizada a tabela e por este motivo não tem como fazer projeções do custo.


O trabalho de combate será realizado em conjunto pela vigilância epidemiológica do Estado e do Município. Recursos e o apoio de Ministério da Saúde também são aguardados. As prefeituras vão receber veículos, equipamentos para a burrifar inseticida e existe a possibilidade dos "fumacês", carros de pulverização, voltarem às ruas. A médica da vigilância epidemiológica do Estado, Silbene Lotufo Muller, explica que a utilização dos veículos traz prejuízos à saúde, principalmente problemas respiratórios, mas o caso é emergencial. O secretário falou que o governo do Rio de Janeiro já disponibilizou os "fumacês" utilizados na epidemia que atingiu o Estado no ano passado para contribuir com o combate ao mosquito vetor.


Hemorrágica - O número de casos de dengue hemorrágica também aumentou e a quantidade de óbitos chegou a 8, dos quais 4 na Capital. O último caso de morte em Cuiabá foi confirmado ontem. É de um adolescente de 16 anos que foi internado no Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC) com pneumonia. O paciente foi transferido para outro hospital, onde o diagnóstico de dengue foi confirmado. Entre as vítimas está Ana Laura Frederico Almeida Santos, 7 anos, que morreu na semana passada. Ela morava no bairro Verdão, em frente a uma piscina pública apontada como ponto de ploriferação do mosquito.


A proliferação da doença na forma hemorrágica é outra situação que assusta os técnicos da saúde. Apenas em Cuiabá e Várzea Grande foram 45 casos em 2009, enquanto no ano anterior em todo do Estado o número de registros foi apenas 6.


A consultora técnica do Programa Nacional de Controle da Dengue, Ludmila Sophia de Souza, explica que uma das hipóteses é o surgimento do vírus no sorotipo 2, considerado um dos mais perigosos, que estava fora de circulação. Caso a possibilidade seja confirmada, justifica porque as crianças são as principais vítimas. Dos 8 casos de morte, 5 são crianças, 1 adolescente e 2 foram adultos. Ela esclarece que as pessoas mais velhas já tiveram o contato com o vírus em outra oportunidade e criaram anticorpos, já as crianças são mais frágeis ao tipo 2. São 4 tipos de vírus da doença e apenas o 4, considerado mais letal, ainda não foi encontrado no Estado.


Alerta - O crescimento da doença, segundo o secretário, foi devido ao descuido da população, já que grande parte dos criadouros está dentro dos quintais das casas. As pessoas deixam lixo, que com as chuvas acumulam água e transformam-se em local propício para o desenvolvimento do mosquito vetor.


A medicação por conta própria também dificulta a notificação dos centros de saúde e a realização de ações de combate. A médica Silbene Lotufo diz que os servidores precisam estar atentos aos sintomas da doença, pois o diagnóstico precoce pode evitar que o caso evolua para a forma hemorrágica.


Várzea Grande - O município de Várzea Grande declarou guerra contra a dengue neste final de semana. A secretária de Saúde, Jaqueline Beber, afirma que o município vai passar por uma faxina nos próximos dias. Além da limpeza na cidade, serão disponibilizados médicos nas policlínicas em horários especiais para atender as pessoas que apresentarem os sintomas da doença.


A Secretaria de Serviços Públicos vai colocar em pontos estratégicos contêineres para que os moradores depositem os lixos que estão armazenados nos quintais. Uma equipe passará diariamente recolhendo o que for depositado nos contêineres.



A prefeitura também colocou a disposição da população um número de telefone para tirar as eventuais dúvidas, orientações e denúncias. O Disque Dengue é: 0800-6471201.



Cuiabá - A prefeitura da Capital aumentou o número de profissionais de saúde nos postos de atendimento nos bairros e também no Pronto-Socorro. O diretor de Vigilância em Saúde e Ambiente de Cuiabá, Wagner Simplício, afirma que várias ações são realizadas desde o ano passado com objetivo de reduzir o criadouro do mosquito. Ele argumenta que um dos problemas são os vazios urbanos ou terrenos baldios. No ano passado, eles foram limpos pelo município. O trabalho custou cerca de R$ 180 mil e resultou na retirada de mais de 80 toneladas de lixo. "Se visitarmos os locais hoje, observamos que está tomado pelo mato e resíduos novamente".


Simplício explica que o matagal dificulta a visualização de recipientes que podem servir de criadouro, como também são obstáculos de saúde pública, já que animais peçonhentos escondem-se nas áreas. O diretor relata que os bairros com maior índice larval, identificados entre janeiro e fevereiro, tiveram ações de bloqueio do mosquito.


Um novo relatório será apresentado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) na próxima semana. Conforme os dados, novas ações de bloqueio podem ser tomadas, como a aplicação do "fumacê". No documento anterior, os bairros com maior incidência de focos foram o Pedra 90, Cidade Alta, Dom Aquino, Dr. Fábio e 1º de Março.


Além dessas localidades, o bairro Alvorada recebeu o bloqueio, porque 2 dos óbitos registrados foram na comunidade.

Fonte: A Gazeta

Autor: Caroline Rodrigues

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Um comentário:

  1. perder Ana Laura foi como perder um pedaço de mim Célia

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