Uma briga ainda indefinida em Várzea Grande

Uma briga ainda indefinida - 1

Lourembergue Alves

A briga pela cadeira central do Palácio de Couto Magalhães ainda não está decidida. Engana-se quem pensa diferente. Serão vinte e oito dias de muito vaivém entre os candidatos, cabos eleitorais e os coordenadores de campanha. A indecisão parece lhes dominar. Várias de suas ações são frutos do momento vivido, além, é claro, do temor de perder a eleição. Ambiente político-eleitoral que se vê esquentado mais e mais pelo desencontro dos números divulgados pelos institutos de pesquisa, o que desnorteia os eleitores.

Instituto algum é obrigado a repetir os índices percentuais já apurados por outrem. Nem deve, sobretudo quando se sabe que qualquer pesquisa não deixa de ser um estrato de um dado momento. Por isso, a cada divulgação, mesmo que esta seja feita por uma única instituição pesquisadora, novos dados são concatenados, afinal trata-se de momentos distintos da campanha.

Contudo, vale acrescentar, não é preciso um estudo científico para se perceber que o cenário eleitoral várzea-grandense do final de julho nada tem a ver com o de hoje, e este não será, obviamente, idêntico com o da metade do mês, tampouco igual ao da boca-de-urna, que pode ser bem outro daquele que se terá com a apuração dos votos registrados nas urnas.

Nesse sentido, seria interessante dar ouvidos um pouco mais às frases que são ditas tanto por moradores da periferia, quanto da área central da cidade. Ouve-se de tudo, inclusive sobre a tendência de voto. Alguns eleitores são mais diretos, outros nem tanto, mas, no geral, tem-se a noção de que a eleição deste ano ainda está indefinida, diferentemente do que se visualizou no mês de julho, logo após a queda-de-braço entre dois integrantes do DEM, quando cada um deles lutava para se tornar o candidato à chefia do Executivo municipal. Episódio que dividiu a agremiação. Esta sangrou tanto que ainda se pode ver as feridas políticas não sicratizadas, e isso fica claro ao se observar as carreatas, reuniões e o palanque dos democratas, sempre há uma lacuna aberta pela ausência de alguém que sentiu preterido pelos convencionais do partido.

Imbróglio que rendeu desgaste à candidatura anunciada. Motivo, talvez, que levaram muitos a dizer que o deputado-candidato (PP) seria o vitorioso. Este, porém, antes mesmo do jogo ter começado, e logo após ter selado um acordo com o adversário, "tirou o seu time de campo", desapontando eleitores que, mais tarde, foram procurados para votarem no democrata. Vários desses eleitores se comprometeram a votar, mas uma quantidade maior deles preferiu esperar o horário político começar e só depois decidir, enquanto a outra parte debandou para o lado oposto, reoxigenando a recandidatura do prefeito (PR), que igualmente ganhou fôlego com as obras do PAC.

A publicidade apareceu, e o índice percentual de rejeição do prefeito-candidato foi caindo, no exato instante em que os seus números na estimulada e espontânea subiam, e continua a subir não da forma como sonham os apoiadores, pois a sua administração ainda não tem a aprovação necessária. Isso, entretanto, não escamoteia o seu crescimento eleitoral, embora as pesquisas realizadas por alguns institutos neguem tal feito. Negam tanto que, no período entre 18 e 30 de agosto, registram um crescimento tão somente de 0,2% em favor do representante situacionista. É claro que tal índice não representa o que de fato vem acontecendo na Cidade Industrial, em termos de campanha política, sobretudo quando se sabe que a rejeição do prefeito, de acordo com os referidos institutos, decresceu 2,0%.

Os números estão, aqui, desencontrados. Alguma coisa anda errado na aritmética da pesquisa e das vozes que se ouvem pelas ruas dos bairros periféricos. Incertezas entrelaçam-se com as indecisões, porém quem de fato sobrepõe são as promessas, que jamais serão cumpridas, enquanto outra certeza amedronta os candidatos, a saber: a eleição ainda não está definida.


Lourembergue Alves é professor da Unic e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: lou.alves@uol.com.br

Fonte: A Gazeta

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