ELEIÇÕES 2008: CASOS MARCANTES

Casos marcantes da eleição



Por Alfredo Meneses


A eleição ainda não terminou, mas já dá para elencar alguns fatos de impacto que devem marcar algumas campanhas.


O abandono da candidatura de Maksuês Leite à prefeitura de Várzea Grande talvez seja o maior deles. Há consenso de que foi um fato negativo para a campanha de Júlio Campos. Esperava-se o contrário. Atingiu o humor do eleitorado local.


Frente à situação, a coligação do Júlio teve que explicar o que ocorrera e a pior coisa em política é dar explicações. E pior fica em época de eleição. Gente tradicional que votava com os Campos em Várzea Grande encontrou o mote para deixar de dar apoio ao Júlio.


Aquela ação foi também mal planejada. A renúncia da candidatura do Maksuês ocorreu na Assembléia Legislativa numa concorrida coletiva para a imprensa. As lideranças ali reunidas cantaram até o Hino Nacional de mãos dadas como se fosse um ato patriótico. Não pegou bem.


Maksuês estava na frente nas pesquisas eleitorais e atacava duramente Júlio Campos dias antes. Naquela reunião da Assembléia ele, num ato só, abandonou a candidatura, deu apoio ao Júlio e já aceita sua esposa para ser vice na chapa do adversário da semana anterior. Uma seqüência de atos mal pensados.


Isso poderia ser feito aos poucos: abandono da candidatura sem fanfarras, mais tarde dava-se apoio ao Júlio e na convenção sua esposa seria indicada vice na chapa dele. Fazer tudo num só momento e ao som do Hino Nacional foi um equívoco. O resultado está se vendo agora. O Murilo que estava "morto" politicamente foi ressuscitado.


Em Cáceres aconteceu outro fato que possivelmente está na raiz do atual problema na reeleição do Ricardo Henry. A Justiça determinou à Policia Federal para vasculhar casas de adversários do Ricardo. Todas as ações da polícia foram filmadas por televisões, principalmente a do Pedro Henry. Tinham sido informadas antes.


O delegado que esteve à frente da ação soltou uma nota escrita em que dizia que se sentiu manipulado pelo lado político dos irmãos Henry. Foi um rebuliço e muito bem explorado pela oposição. Aceita-se em Cáceres que aquela mal planejada invasão das casas é um dos motivos do atual calvário da candidatura do Ricardo Henry.


Em Cuiabá há uma expectativa no ar. A candidatura do Wilson Santos vem num crescimento seguro e constante. Mauro Mendes também cresce, mas tira votos de Walter Rabello e não do Wilson. A coordenação de campanha deste resolveu bater no Mauro.


No momento que escrevo não havia ainda uma resposta do Mauro. Se a resposta vier não se sabe se terá efeito eleitoral. Se repercutir e houver polarização na campanha ele pode se beneficiar. Frente a um acontecimento novo não se sabe se a eleição termina ou não num só turno. Mas, pela intensa repercussão do fato, já é um dado que marcará a eleição.


A não participação de Carlos Bezerra na campanha do Zé Carlos do Pátio em Rondonópolis é outro episódio marcante desta eleição. Bezerra é deputado federal, ex-governador, presidente do partido e até agora não foi mostrado pela campanha do Zé do Pátio.


Comenta-se ali que o cancelamento da programada ida de figuras nacionais do partido à cidade foi para que o Bezerra não aparecesse no palanque do candidato do PMDB. Se verdade, não será bom para sua imagem ali e em Brasília. O Bezerra não estar na campanha do seu partido em sua base eleitoral é outro fato que vai marcar a história desta eleição.


Alfredo Menezes é historiador
Fonte: Preto no Branco Online

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