Editorial do Jornal A Gazeta sobre a posição de Maksuês


Maksuês, quem diria?, acabou no Irajá

Da Editoria

Quando o eleitorado é surpreendido com situações como foi a desistência da candidatura do deputado Maksuês Leite (PP) num "acordão" com o ex-governador Júlio Campos (DEM) na disputa pela prefeitura de Várzea Grande muitas perguntas ficam no ar. No caso específico de Maksuês, as indagações são inúmeras. Não se trata se fazer acusações de que houve barganha e de que espécie foi amarrada, para que um renunciasse em favor do outro, mesmo sendo esse um - segundo pesquisas de opinião - primeiro colocado na preferência dos eleitores. O que se questiona nesse momento é como um político pode mudar de postura, da noite para o dia, sem levar em consideração nem mesmo o que pensam as pessoas que acreditaram e manifestaram apoio a ele?


Não há dúvida de que fatos como esse colaboram com a crescente onda de descrédito que vivem a política e os políticos brasileiros e, consequentemente, mato-grossenses. A grande pergunta é: onde estão as convicções desses homens que falam em nome do povo. Maksuês Leite, por exemplo, superou-se. Chegou ao extremo de declarar que só retiraria sua candidatura "se morresse". Hoje, em nome dessa aparente convicção, ele se dispõe a aliar-se a Júlio Campos, de quem sempre foi adversário. E pior, disponibiliza no acerto o nome de sua esposa, uma desconhecida na vida política de Várzea Grande, para compor a chapa como vice-prefeita.


O deputado pepista, vale lembrar, desde que assumiu uma cadeira na Assembléia Legislativa, vinha se dedicado, em detrimento a outras ações inclusive, a essa virtual candidatura a prefeito em Várzea Grande. Publicamente pelo menos foi o que todos assistiram. Nos bastidores, onde a roupa é lavada de outra forma, talvez o desfecho do episódio já estivesse previsto. Sendo assim, onde teria o jovem político colocado os projetos ditos fundamentais para a Cidade Industrial do futuro, que ele tanto apregoou? Mais ainda. E tudo o que falou e discursou em nome do novo e contra as práticas ultrapassadas que, conforme disse em diversas ocasiões, eram representadas pela família Campos?


Maksuês se mostrou tão "facinho" de ser convencido a uma renúncia que deixou estarrecidas as velhas raposas da política. Geralmente, antes de uma decisão tão radical assim, pelo menos se esperneia, se disfarça, faz-se um charme, diz que vai consultar as bases, enfim, algumas estratégias para enrolar, antes do fatal anúncio de que juntou-se ao adversário. Mas, de toda essa história na Várzea Grande, fica o recado dos Campos. Júlio, o irmão mais velho e fora da política partidária há anos, então nem se fala! Quando decidiu deixar o Tribunal de Contas do Estado (TCE), precocemente, e voltar à vida pública muitos duvidaram do seu poder de fogo. Ilusão. Júlio, ardiloso e experiente, tem sido um rolo compressor na corrida sucessória de Murilo Domingos. Wallace Guimarães, pré-candidato seu companheiro do DEM, foi a primeira vítima. Maksuês, a última. Até outubro, vamos ver ainda muita coisa, com certeza.

NOTAS DA COLUNA A PARTE

Ascensão - A política produz em um passe de mágica figuras da noite para o dia. A esposa de Maksuês, Mara Rúbia Leite, nunca foi vista como liderança política e de forma meteórica é alçada à condição de candidata à vice-prefeita da segunda maior cidade do Estado.

Articulações - Enquanto Maksuês e a família Campos ficaram na saia justa, o deputado federal Valtenir Pereira, pré-candidato do PSB, fez reuniões com os petistas Carlos Abicalil, Vilson Aguiar e o pré-candidato José Afonso Portocarrero.

Muito feio - Política em Várzea Grande é enigmática. Só lá o candidato Maksuês Leite, líder das pesquisas, abre mão de concorrer para o "bem da cidade". Você acredita nessa história, eleitor? Foram várias reuniões e ele se convenceu de que Júlio é melhor. Estranho!

Sem palavra - A conversa que corre solta a partir de agora em Várzea Grande é sobre o que o deputado falou neste mês sobre o novo aliado Júlio Campos. Quem não se lembra que Maksuês disse que só a morte tiraria sua candidatura.

Ressuscitado - Pelo sim, pelo não, o fato é que Júlio Campos pode ser visto, com todo o perdão à fé cristã, como Jesus Cristo na Cidade Industrial. Porque Maksuês morreu e foi ressuscitado. E esse angu ainda vai custar muito caro para a campanha. É esperar...


Fonte: Jornal A Gazeta

Gostou? Compartilhe:

0 comentários:

Postar um comentário